A gente deveria se culpar menos

(Leia este texto ao som de Say You Won’t Let Go)

Eu tenho a mania-ilusão de querer controlar tudo ao meu redor. Com vinte e poucos anos, de vez em quando eu percebo que ainda não desconstruí totalmente essa falsa verdade dentro da minha própria cabeça. Ensaio discursos, planejo diálogos, costumo medir cada consequência possível de cada ato que eu vou colocar em prática na minha vida.

Para quê? As coisas não dependem cem por cento de mim.

Depois de conhecer centenas de pessoas diferentes e com visões de mundo que não batiam, meu coração entendeu que o segredo de tudo está na intenção daquilo que eu faço. Eu costumava – e costumo ainda, muitas vezes – me cobrar demais pelo rumos que as coisas tomam depois de uma atitude ou outra. Me culpava por aquilo que fugia do meu controle. Por ser presente demais ou intenso de menos. No fim, o que eu ignorava era minha boa intenção em tudo.

Se a nossa tentativa foi sincera, não existe motivo nenhum para nos cobrarmos ou culparmos por isso. Na maioria das vezes, o sustento do mundo não depende da gente. Não definimos nossos sentimentos, não seguramos a barra que é viver em uma sociedade que desaprendeu que o amor é capaz de curar o resto. E não precisamos jogar o mundo em cima dos nossos ombros porque isso não depende de nós.

O que eu passei a fazer foi responder mentalmente a uma pergunta

Você arriscou pois seu coração acreditava que de alguma forma poderia dar certo?

Se a resposta for sim, é isso que importa. O fato de termos feito isso por amor – a nós e aos outros – não invalida a tentativa. Pelo contrário, dá valor a ela. A consequência, que sempre foge do nosso controle, não deve nos incomodar tanto assim.

Nenhum de nós deve se culpar por sentir ou não qualquer coisa.

Quando a tempestade passa, nós geralmente conseguimos voltar o olhar para nós com caridade. Ninguém no mundo controla o que sente ou as consequências que podem surgir disso, então não precisamos nos cobrar.

Está tudo bem, ok?

O mundo continua sendo bonito de diversas formas. E é.

Júlio Hermann

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