Família é o local fora do mundo físico em que meu peito habita

(Leia este texto ao som de Stop And Stare)

Se não fosse o abraço que eu recebo em toda vez que chego em casa, talvez meus ombros não fossem capazes de suportar em si o mundo que pesa sobre eles. Eu tomaria alguns remédios a mais e teria algumas horas a menos de sono. O efeito dos comprimidos não seria tão eficaz.

Provavelmente, eu amaria menos a realidade à minha volta. Quando estou fora de casa, é bom poder ter a sensação de que ao voltar – no fim da tarde ou no fim do ano -, eu poderei dizer aos risos que fui capaz de viver com amor. Ajuda nos momentos de dor, também, quando me sinto prestes a desabar e não sei exatamente como lidar com as paredes que desmoronam ao redor.

Eu teria menos amor para dar aos outros também.
Teria menos caridade e afeto.

É estranho imaginar qualquer realidade diferente desta. Desde que eu nasci, é para os mesmos braços que eu corro quando os meus olhos não conseguem segurar em si o que está prestes a transbordar. Não é como se o planeta fosse maior do que eles, porque não é. Não para mim.

Família é o lugar no mundo onde nosso peito é capaz de habitar independente de estarmos fisicamente próximos de quem amamos ou não, né? Comigo sempre foi assim.

Nas noites em casa, nos fins de semana que eu preciso passar fora da cidade, nas viagens a trabalho e nos compromissos do dia a dia que me privam de estar na presença deles, o sentimento é justamente esse: bate uma saudade enorme, mas que nunca consegue ser maior que a satisfação de ser amado sem cobranças por aqueles que me fazem feliz.

Família.
Família é todo aquele que se permitiu se abrigar no meu peito, independente do lugar do mundo em que eu estou.

Se tudo for bem na minha vida, sei que poderei dividir os sorrisos sem medo de me perder em quem não quer verdadeiramente bem. Se as coisas não saírem como meu peito espera, sei que haverá sempre um abraço-casa para me proteger do universo que está prestes a entrar em colapso.

E isso sempre vai ser o mais importante no mundo pra mim.

Júlio Hermann

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