Me sinto estragado para o mundo

(Leia este texto ao som de Take Me To Church)

Parece que a cena se repete e tem sido sempre a mesma depois de um tempo. Sinto um cansaço sentimental que não consigo controlar aqui dentro. Como se meu corpo inteiro se sentisse indisposto para tentar outra vez, pelo menos se não for com ela.

Talvez isso seja um pouco mais comum do que eu pense e você também se sinta assim. Se não sente, entende, eu sei. Sabe exatamente como é carregar nos ombros essa sensação chata de que o mundo se acomodou em um lugar longe do peito, não sabe? Sabe tanto que já sentiu as coisas desse jeito, como se qualquer coisa estivesse longe demais do alcance das mãos e fosse melhor esticar as pernas no sofá enquanto esperar o tempo passar.

Paro pra pensar nisso logo depois de lembrar do tanto de vezes que a gente se permite ferir ao longo da vida. Nem sempre é culpa de alguém. De vez em quando a culpa é inteiramente nossa. De vez em quando nós mesmos colocamos nossos corações na estante alheia como se fosse bonito sermos decoração na vida de alguém.

A sensação é a mesma de dirigir com pé no freio em uma avenida movimentada com o mundo desabando em água. Não dá pra enxergar nada do lado de fora, mas juramos que uma hora aquilo tudo termina e a gente volta pra casa. Juramos que alguém salva a gente da tempestade ou tudo passa e encontramos o caminho de volta. Sabemos exatamente quem é esse alguém também.

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Parece que fechamos nosso mundo inteirinho e deixamos a passagem aberta para uma única pessoa, por mais que saibamos que não existe metade certa para completar a gente. Não estamos dispostos se não for com ele, não existe espaço na agenda pra qualquer outro pronome que não seja de terceira pessoa. Nos sentimos estragados demais para encarar o mundo outra vez, quando na verdade a única coisa que queremos é encarar o tal alguém outra vez.

Acho que você entende um pouco sobre isso também, sobre essa mania chata que todos nós temos de fechar as portas para novas pessoas quando ainda esperamos ser salvos por alguém que talvez nunca volte. Na verdade, não estamos estragados para o mundo. Estamos esperando ser salvos por alguém com nome e sobrenome e que talvez não lembre da gente.

Vai ver amanhã eu não sinta esse déjà vu chato parecendo que tudo é a mesma coisa. Vai ver seja salvo ou resolva me salvar também. Por enquanto é tudo igual. Por enquanto eu não deixo ninguém entrar enquanto ainda penso nela.

Júlio Hermann

5 comentários sobre “Me sinto estragado para o mundo

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