Minha doce liberdade roubada

Oi, sê bem-vindo. Espero que esse texto te ajude a amar melhor. Fique com Deus. Boa leitura. 💛


(Leia ao som de Mess)

Me preocupa o quanto os outros sabem sobre a gente. Não, na verdade me preocupa o quanto nós queremos que os outros saibam sobre a gente e o quanto nós mesmos gostamos de vigiar os hábitos alheios. Não estou denunciando aqui o zelo bonito que devemos ter por quem amamos, de querermos que as tais pessoas sejam retas em intenção e tenham um coração um pouco menos corrompido. Falo do superficial mesmo, da exposição de coisas das nossas vidas que deveriam ser só nossas.

A maior prova de que estamos falindo é que ser expectadores da vida alheia é mais importante para nós do que olharmos a nós mesmos. Gastamos horas dos nossos dias com um senso de vigia da vida alheia, que se potencializa ainda mais quando gostamos ou sentimos alguma espécie de repulsa por alguém. No mundo, a mídia nada no dinheiro por conta da nossa sede de vigiar o que fazem os outros. Sabemos quando brigam, quando choram, quando viajam. De nós, sabemos pouco. Pior: como nos entorpece ver aos outros, queremos que vejam a nós também. E contamos tudo sobre nossas rotinas na internet.

Veja: não há problema em se interessar por conhecer os hábitos de alguém de vez em quando, ou postar alguma coisa interessante sobre você, sobretudo quando isso ajuda alguém. O problema é quando os holofotes se tornam nossas muletas e as coisas que acontecem fora da internet, sem que os outros possam saber, perdem o sentido.

Quando nós nos damos conta de que não podemos estar em um lugar sem postar alguma coisa, comentar sobre os assuntos com quem que não está no ambiente, é sinal de que algo não está certo. Nossa vida se torna uma maquete, um experimento com cara de reality show, que só tem sentido enquanto alguém do outro lado da telinha olha nossos dramas particulares.

Nossas vontades enfraquecem, nossa alegria virá pó, nosso coração fica vazio. Os espaços feitos para aprendermos e ensinarmos, partilharmos alegrias e entendermos hábitos bonitos, se tornam nossas muletas. Importa que nos vejam. E, como estão nos olhando, fica a sensação de que não precisamos olharmos a nós mesmos.

Tempo perdido, vida esvaziando.

Me preocupa o quanto mostramos de nós, porque esse simples hábito de postar tudo transforma nossas potenciais virtudes em caricatura. Me preocupa igualmente o quanto precisamos saber dos outros para ter uma pitadinha sequer de coração preenchido.

Quando a vida é sobre mostrar-se e enxergar, se deixa de viver para atuar.

O que, de verdade, estamos fazendo?

Júlio Hermann.


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Crédito da foto: aqui.

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