A culpa não é sua: te ensinaram a amar como se joga

Oi, sê bem-vindo. Espero que esse texto te ajude a amar melhor. Fique com Deus. Boa leitura. 💛


(Leia ao som de Running After You)

Você apaga as luzes do quarto sem saber que vai ficar uma hora inteira rolando de um lado para o outro, cobrindo e descobrindo os pés para aliviar a angústia. Gostaria de obter respostas concretas, com palavras silabadas para facilitar a compreensão. Mas não pergunta. Quer que ele adivinhe, imagina que tudo será como das outras vezes; como se só você fosse capaz de vencer os próprios erros, ele não.

Do outro lado da cidade, ele apaga a luz sem saber que vai olhar o celular de pouco em pouco até conseguir pegar no sono no início da madrugada. Não era dez e meia quando ele deitou, mas o processo de fazer o cérebro entender que é hora de descansar não é fácil nem agradável quando se espera o sinal de vida de alguém. Ele sabe que vacilou uma vez, mas ficou profundamente ferido e temeroso pelo modo como você reagiu.

E o amor vai ficando mais sútil, feito o barulho da cidade às quatro da manhã.

Eu não seria louco de jogar a culpa inteira nos seus ombros, nem nos dele. Nós somos frutos de uma geração que transformou o amor em competição. Estar com alguém raramente é gratuito. Até estamos ali, nos dedicando, colocando esforço em amar. Mas, considerar o esforço do outro? Reconhecer que pisar na bola nunca é legal, okay, mas que o outro também pode levantar e começar de novo? Geralmente falhamos nisso… Quantas vezes imploramos perdão sem um coração generoso em oferecer o mesmo de volta?

O equívoco de vocês foi ter guardado os erros de cada um numa gaveta e seguir em frente como que se protegendo de todo e qualquer destroço que poderia vir a existir entre vocês. Suas atitudes passaram a ser profundamente cuidadosas, pelo simples desejo de não errar para manter o controle do afeto – afinal, você era a “vítima”. Por outro lado, ele deixou de procurar por novos modos de dar carinho – ele sabia que você provavelmente justificaria a iniciativa dele com um pensamento de que algo errado deveria motivar o afeto inesperado.

Quem ama de verdade pisando em ovos? Quem divide vida sem conversar com frequência e entender para onde se está caminhando? A gente até pode caminhar junto, mas se desconhece os calos do pé alheio, em algum momento acaba se perdendo.

Tudo bem, a culpa não é exatamente de vocês. Ambos aprenderam que amar é um jogo de pontos corrido. Mas a solução sempre cabe aos dois: ou vocês se conhecem de verdade, do peito para dentro, ou se deixarão para sempre.

Você não dorme, ele também. Os dois sabem a verdade: continuar depende de colocar para fora os próprios monstros, a fim de colocar o outro de verdade no próprio coração.

Mas ninguém diz nada, com medo de errar.

Júlio Hermann.


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Crédito da foto: StockSnap.

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