Ela me amava, mas não como gostaria

(Leia ao som de What’s Become Of Me)

Um dia uma pessoa me disse que não conseguir me amar como gostaria doía. Eu não tenho certeza se entendi de imediato o que ela queria dizer, mas o fato era esse: ela queria me querer por perto, gostaria talvez de abrir mão de coisas importantes por mim, colocaria mais coração no que tínhamos se conseguisse. Mas não era possível.

Eu demorei uns bons anos para entender que aquilo era amor.

Acho que nós estamos um pouco estragados. A tal ideia de reciprocidade equivalente nos fez voltar a olhar os relacionamentos de um modo “olho por olho, dente por dente”. Você demora para me responder, eu preciso devolver na mesma moeda; você ignora um problema meu, eu preciso ignorar o seu. Vale a sensação de se estar ganhando ou empatando, nunca perdendo. Mas por quê?

Nós pregamos aos quatro ventos as nossas virtudes. Olha o que eu fiz por fulano e ele não correspondeu; acredita que beltrano respondeu meu amor com um simples obrigado?; eu tentei convidar de novo, agora ele que se vire; e por aí vai. Tratamos os sentimentos como se fossem jogos de tabuleiro. Definimos burramente que jogar os dados duas vezes enquanto o outro não moveu suas peças ainda é um crime.

Talvez nossas grandes frustrações sejam fruto disso. Saudades provavelmente sentiremos de todas as formas, mas a nossa maturidade em lidar com os sentimentos passará pelo processo de entender onde o amor se mostrou e onde se escondeu.

A tal pessoa ter me dito que não conseguia me amar o quanto gostaria é a grande prova de que o amor estava presente aos montes ali, só não correspondia aos instintos. Ela poderia deixar tudo como estava, mas não queria brincar comigo. Foi melhor assim? Com certeza. Eu não entendi na hora porque não era exatamente como eu queria, mas escancarou-se na minha consciência depois.

Minha frustração existiu porque eu escolhi amar os instintos, ela soube olhar o coração.

O aprendizado vai acontecendo aos poucos. Eu certamente me enganarei muitas vezes ali na frente, mas estou vacinado para ignorar a equivalência de afeto. Que isso me ajude a ter mais clareza.

Se nós estamos estragados para o amor, paciência. Vamos crescendo aos poucos.

No fim das contas, as pessoas não precisam nos amar como queremos que o seja. Basta que nos amem.

Júlio Hermann


Espero que você tenha gostado desse texto. Fique com Deus e tenha semana de Páscoa feliz. Que Maria e teu Anjo te ajudem.

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Foto: Lukas Richyvalsky

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