Eu senti saudades já antes de sair

(Leia ao som de Never Be Alone)

Saudade foi a primeira coisa que eu senti — antes mesmo de ir embora. Nossas noites de filmes na sala de casa, os passos que vocês me ensinaram a dar nas madrugadas escuras, os cafés da manhã seguidos de uma discussão saudável sobre quem lavaria o que da louça: eu não teria mais isso todos os dias, mas teria vocês para sempre.

As vezes em que eu bati com a cara no muro tiveram sentido porque vocês me ensinaram a levantar dos tropeços. Existem muitas formas de encarar a mesma realidade, aprendi. Ou se abraça a dor e se deixa crescer com ela, ou se rejeita completamente o mundo ao redor. O segundo modo parece mais cômodo, mas raramente nos deixa criar raizes.

Nossas conversas me ensinaram a importância de tentar e se colocar a caminho, ainda que se precise parar no meio da estrada e voltar atrás. Com elas eu me eduquei a olhar o crescimento que acompanha o processo de se arriscar; aprendi a amar a calmaria de uma existência que se vive com tanto coração, a ponto de deixar a cama mais quente durante a noite — só pelas lembranças do dia vivido.

Esse amor me aqueceu de verdade nas noites frias, ainda que fossem de verão. Acho que o coração às vezes ignora as estações do ano. Prometi permanecer com vocês ainda que estivesse do outro lado do mundo, porque família não é algo que se esquece em uma gaveta quando se muda de endereço.

E eu nunca mudei o amor.

Existiu, existe e sempre existirá uma parte do meu coração incapaz de estar sozinha. Tentei encontrar explicações científicas para isso, mas teoria nenhuma explica o modo como vocês fizeram do meu peito um abrigo para proteger a mim mesmo das pancadas.

E isso nunca teve preço.

Sentir saudade foi a primeira reação do meu coração, ainda que a gratidão gritasse tão alto quanto. Chorei, amei, abracei — não como se fosse a última vez, porque não seria. A gente se despede de quem não verá mais, e eu ainda amaria vocês por uma eternidade inteira se assim vivesse.

Mas não vivo.

E, como não posso me eternizar no tempo para permanecer em companhia, transformei o que sentia em algo que não calcula os séculos. É pouco, talvez. Mas foi o meio que eu achei de dizer isso: senti saudades antes de ir porque permaneceria presente depois de partir.

Afinal de contas, o amor sempre contrariou a lógica das coisas. E eu amei vocês: família.

Júlio Hermann


Espero que você tenha gostado desse texto. Fique com Deus e tenha semana feliz. Que Maria e teu Anjo te ajudem.

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Foto: Peggy und Marco Lachmann-Anke

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