Você me roubou de mim

(Leia este texto ao som de Home To You)

Te olhar nos olhos foi o primeiro passo para entregar os pontos. Acho que ser humano nenhum consegueria se segurar durante tanto tempo, nadando contra a corrente que o leva a amar mais do que se sente capaz. Era assim que eu me sentia na tua presença: impelido a dar mais de mim do que achei ser possível. A cada mensagem, a cada vez que você ligava, sempre que ouvia seu nome pelas ruas: tudo se repetia.

Mas meu pensamento era tão mesquinho para aceitar que eu poderia…

Precisei segurar a tua mão pela primeira vez para me sentir caminhando rumo a qualquer caminho que parecesse certo. Quanto a gente vaga por aí até se colocar na direção de algo palpável? O suficiente para perceber que por si mesmo a gente vai menos longe do que poderia, acho. Por isso quis contar contigo dali pra frente.

Pus minha mochila nas costas, segurei tua mão para atravessar a avenida.

Amor é colocar a vida em caixas e mudar o endereço do próprio coração, para desencaixotar tudo no lugar que finalmente parecer adequado. Eu guardei em caixotes de madeira tudo o que existia em mim: sonhos, vícios, sorrisos, alegrias, metas, desejos de amar. Você me ensinaria a lidar com tudo na hora certa, eu só precisava ter a coragem de me abandonar.

Mas a gente sempre resiste antes de se deixar cair nos braços de alguém quando sente medo.

Viver uma vida assim não é fácil, me diziam. Você pode sair machucado. Quem vai cuidar das suas cicatrizes se você cair? Mas eu ignorei os questionamentos, consciente de que o amor pode levar a gente aos trapos, sim, mas sempre reconstrói de um modo mais maduro e feliz.

Me convenci que não seria loucura te dizer sim depois que você acordou meu coração numa manhã de domingo me convidando para passear. Todos os meus dias passaram a ser seus dali em diante. Aprendi que o homem precisa do amor tanto quanto precisa de alimento para ficar de pé. Se era verdadeiro o pensamento, nunca soube. Mas foi exatamente assim que me senti: dependente do amor.

Do seu.

Eu não estava interessado tanto na felicidade que você poderia trazer, mas na sua presença por si mesma. Porque as batalhas e angústias que o amor carrega também fazem parte do processo de se colocar à caminho de um futuro feliz.

Um empurrãozinho era só o que eu precisava para acreditar nisso. E teria permanecido vivendo uma vida que não era minha se os seus olhos não esbarrassem com o meu num Natal em que eu coloquei os joelhos no chão. Foi a deixa para eu entregar os pontos.

Só era necessário eu aceitar o que já estava na cara: você já tinha me roubado de mim. E eu não queria prestar queixa disso para ninguém.

Júlio Hermann


Espero que você tenha gostado desse texto. Fique com Deus e tenha uma linda semana.

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Crédito foto: António Lopez

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