Sobre te deixar ir embora

(Leia este texto ao som de Shallow)

Ter te deixado ir embora é um dos maiores traumas da minha vida até aqui. Foi uma daquelas decisões que a gente não toma por conta própria. Não teria acontecido se eu pudesse escolher ou tivesse argumentos suficientes para te convencer de que valia a pena continuar tentando. Era só organizar a manteiga e as geléias na mesa posta para o café da tarde e deixar o relógio correr.

Eu fiquei estranhamente tranquilo quando você me disse que não queria mais. Talvez essa estagnação momentânea tenha sido fruto de uma descrença minha,  porque eu já imaginava antes de você me deixar que isso aconteceria. Mas deitar a cabeça no travesseiro naquele dia não foi exatamente agradável. Meu carro ficou com a marca dos teus dedos na maçaneta por meses inteiros.

Sua despedida tinha um quê de dor que não consolava o que eu sentia. Não era bem sobre deixar a vida que se está vivendo para trás, porque nós dois teríamos que abrir mão de sonhos.

Convencer quem já acreditou e desacreditou do mesmo futuro não é algo que se consegue com o juntar de verbos em argumentos irrefutáveis. Ainda assim eu tentei, deitando a cabeça no teu ombro e dizendo o que parecia plausível. Você ouviu as batidas apressadas do meu peito. Mas será que seria suficiente?

Quando se foi, você levou uma parte minha importante e que eu não consegui recuperar. Fiquei feliz quando te vi alegre em uma vida nova. Desejei por longos instantes que você não precisasse se despedir dessa vez, que não precisasse ir embora da vida dele também, mas lutei contra pensamentos opostos enquanto a saudade de ti ainda ardia em quem eu era.

Eu te queria de volta, poxa.

Foi uma sensação doída te ver seguindo em  frente, daquelas que deixam marcas profundas em corações que articulam meticulosamente os movimentos para fazer bem a quem se ama. Mas a gente não conseguiria dar certo com as coisas que nos dividiam.

Sua despedida foi justa – entendi depois de uns dias. E, apesar de meu peito discordar, é bom que argumentos verbais não convençam seu coração a acreditar de novo em quem éramos.

Você merecia seguir em frente. Eu também.

Júlio Hermann


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