A solidão e o que ela ensina

(Leia este texto ao som de Right Here Waiting)

O silêncio do seu quarto passou a devorar um pouco menos depois da quarta semana. Seria natural acostumar-se com a solidão depois de tantos dias precisando se encarar no espelho. Você viu todos os sonhos perdidos no reflexo das rugas; todos os amores que teve medo de amar nos olhos baixos. Mas era necessário.

O processo de encontrar a si mesmo não passa só pelos outros, pela realização profissional, pelos sonhos escritos nas paredes da sala para deixar as manhãs de segunda com mais sentido. O pote com suas moedas acumuladas para a viagem pela Europa, seu desejo de conhecer o Vaticano, as férias com a família no interior: tudo isso fala de ti, mas você vai além disso.

Tomar a decisão de se encontrar não pode partir de outra pessoa: quando você se dá conta de que a vida não te deve nada, até a forma como você ama os outros muda. Seu coração passa a entender com mais clareza as próprias necessidades, a fim de ser capaz de sanar as dos outros também.

O processo, no entanto, é doloroso. O silêncio vai corroendo a gente pelas tripas, escancarando fantasmas de quem se foi, de quem ficou, de quem somos por nós mesmos. É preciso uma maturidade muito grande para convidar eles para tomar café e colocar as coisas na mesa. Mas vale a pena.

Quantas pessoas você jurou que não viveria sem e hoje mal passam pela sua mente? Você permanece…

Quando você se dá conta de que ninguém vai viver sua vida por você e que é injusto viver o sonho de outros por tempo demais, seu coração ganha uma independência difícil de arrancar. Nem um amor perdido, nem uma despedida dolorosa, nem uma temporada bem vivida no fundo do poço mudam a grandeza que você passa a carregar em si.

Mas é preciso tomar a decisão de encarar o silêncio do quarto e deixar para trás o que for preciso no processo.

Dói, pinica, incomoda. Mas você começa a enxergar a vida e a si mesmo com mais maturidade no fim.

Júlio Hermann


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