Sua saúde mental vale mais que isso

(Leia este texto ao som de In The End)

O medo que você sentiu ainda antes de tirar o corpo da cama deveria ter sido suficiente. Não era mais sobre viver as horas cumprindo as tarefas e comparecendo a compromissos, era sobre reaprender a viver. A noite não era culpada pelo pouco de vida que restava em ti, mas os dias que você vivia eram.

Sua mente tentou justificar que estava tudo bem e os sorrisos no espelho eram a prova disso. As suas tardes contando as horas para o expediente acabar se disfarçavam de uma ânsia por viver o resto do dia longe dos compromissos. O fim de semana na praia com quem você jurava amar foi adiado apenas porque seu corpo precisava colocar o sono em dia. Mesmo?

O seu coração acelerado pelas reuniões do dia e o descaso em responder as mensagens a quem você ama só testemunharam o que era óbvio: você estava se perdendo de si.

Os sorrisos dos sábados à tarde, as manhãs de domingo com café quente a ponto de queimar a língua, os passeios no parque… Você já não amava aquela vida. E viver uma vida que não se ama é enlouquecedor.

Num dia desses seus olhos passaram por um artigo que dizia que nenhum amor e nenhum emprego valiam sua saúde mental. Você ignorou porque achava que a tristeza e a falta de sono eram só fruto de uma dosagem errada nos seus medicamentos. Mas não eram.

Demorou longas semanas até você entender que precisava pular fora, caminhar a um novo lugar, seguir em frente. E que não haveria motivo para se martirizar se a intenção das suas escolhas era uma vida saudável e feliz.

Você ignorou os avisos, mas eu repito porque sei que às vezes precisamos ouvir que a água é molhada: o emprego que você tem e a pessoa que você ama nunca devem ser um peso – nem nos momentos ruins. Se estiverem sendo e não houver maneira de consertar, faça uma gratidão sincera e siga seu caminho.

A decisão de seguir em frente é difícil, eu sei. Mas você precisa.

Nada do que você ganha vale o preço da sua saúde mental. Nem o salário, nem o carinho, nem as migalhas.

Se a vida arrancar o amor que existe: pegue sua mochila e vá atrás do que restou.

Júlio Hermann


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Créditos da foto aqui.

Obrigado ao amigo Mateus L. dos Santos por em um dia de 2018 ter me lembrado que a água é molhada.

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