Toda vez que alguém vai embora

(Leia este texto ao som de Wherever You Are)

Ver alguém virar as costas é uma das dores mais latentes que nós enfrentamos – pelo menos imediatamente. Não porque talvez não esperássemos ou porque pisamos na bola, nada disso. É pelo sentimento de impotência. Pela dor de ter que conviver com uma realidade onde o outro decidiu que precisava seguir viagem.

E nos deixou.

Eu fico pensando em quantas despedidas nós enfrentamos ao longa vida. De pessoas que chegam e marcam. De fases transitórias que vivemos, seja no estudo ou no trabalho, que hora ou outra tem seu fim também. Dos amigos que vamos perdendo o contato aos pouco, para nunca mais. Dos amores que esbarramos em esquinas e perdemos de vista depois do décimo passo em direção de nossas casas.

Dói um absurdo, né?

As nossas dores geralmente são acompanhadas por sentimentos enormes de culpa. Nos cobramos por não termos sido suficientes ou por termos nos doado demais. Nossos cérebros colocam nossas fraquezas nos holofotes ou tentam nos convencer de que fomos bobos – era evidente que acabaria, só a gente não viu. Mas a realidade não é bem essa.

Compreender os ciclos da vida é entender que pessoas permanecem, se vão, deixam marcas profundas em nós e não deixam de ser incríveis por isso. Enquanto nossas mentes crucificam nossos corações por nossos erros, nós colocamos um peso imenso sobre o outro para limitar ele ao que (aparentemente) fez de mau a nós.

Mas a vida não é só isso.

Toda vez que alguém vira as costas para você é porque, talvez, vocês precisassem começar do zero, de outro lugar. Às vezes nós colocamos amores e amizades em algemas, para não os perder. Mas, ainda que o contato se acabe de um dia para outro, com ou sem motivo aparente, o que vai ter feito valer a pena é o amor que permanecerá.

Se cobre só o suficiente pelas coisas que passaram. Ao invés de monstros para te atormentar à noite, as perdas podem ser lições valiosas para os amores (amigos ou românticos) futuros que você terá.

Júlio Hermann


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