Quem você me tornou

(Leia este texto ao som de O que dizer de você)

Eu queria que você soubesse que eu nunca fui o mesmo depois de você.
Acho que nunca somos, né? Não depois dos medos gigantescos que eu precisei deixar de lado.
O de se permitir amar.
O de ser amado.
O de se dividir.
O de deixar seguir em frente, porque de vez em quando é o melhor a se fazer.

As expectativas que eu tinha não deixaram de ser reais quando nós decidimos seguir por caminhos que ainda não nos pertenciam. Porque elas sempre continuam existindo de alguma forma. Pinicam. Incomodam. Dão as caras com tanto estardalhaço que não tem como jogar para baixo do tapete.
E eu queria ter escondido a poeira.

O grande medo que eu tive depois de nós foi o de encontrar a pessoa que eu era antes de tudo. É que as mudanças que você fez em mim foram tão significativas, que eu não queria abrir mão do que sobrou – do que foi bonito, ao que me tirou algumas horas de sono.

Mas é sobre isso, não é? Amar alguém tem a ver com se deixar absorver pedaços do outro até que eles se tornem nossos. De alguma forma, eu me tornei você. E fico feliz por pedaços meus descobrirem outros lugares do mundo em um corpo que não me pertence.

Eu queria que você percebesse que eu não sou o mesmo agora e, provavelmente, não serei o mesmo na próxima vez que te vir. Mas eu queria te pedir para manter a mesma coragem de antes, quando você topou segurar minha mão e dar um passo no escuro. A gente se deu bem naquele breu enquanto era possível, não deu? Tão bem que até os medos resolveram se aquietar no conforto que éramos.

Mas a vida segue, apesar do fim. E a poeira só desaparece depois que varremos o chão e recolhemos o amontoado que juntamos.

Eu queria que você soubesse que eu continuo admirando sua força, vontade, caráter, pureza, coração. E que isso permanecerá, ainda que você deixe de ser a mesma, como eu deixei de ser.

Júlio Hermann


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