O que restou depois de tudo

(Leia este texto ao som de High Hopes)

os erros de concordância nas frases que eu te dizia denunciavam que eu sentiria sua falta. bastava que você me olhasse, e só. era o suficiente para eu me sentir invadido dos pés à cabeça.

o jeito com que os teus olhos baixavam para contemplar o chão causava leves arritmias em mim. naqueles breves milésimos de segundo, eu sabia que poderia te perder, mas a possibilidade parecia tão irreal quanto te ter comigo era para mim.

eu gostava de olhar a vida através dos teus olhos, no reflexo mais real que eu havia visto do mundo até então. você nunca se preocupou em mascarar as dores, lembra? cada pequena batalha no seu devido lugar; cada pequeno afeto recebendo o cuidado que necessitava para permanecer vivo.

o silêncio que permanecia entre a gente, enquanto teu rosto tocava o meu ombro e eu olhava o mundo passar do outro lado da janela, me lembrava das noites frias dos invernos em que não havia você. o ar queimava minha pele, sua mão acalmava minhas pernas inquietas… quando foi que as coisas mudaram?

nós tentamos. talvez por mais tempo que o necessário, talvez por menos. tanto faz, no fim das contas. mas nada no mundo foi capaz de arrancar o amontoado de amor que nós insistimos guardar na gente depois de tudo.

as fotografias na minha sala. o sol que invade o cômodo pela janela. meus sapatos jogados ao lado do sofá. tua maneira de sorrir pra vida. nada disso deixará de existir enquanto meu coração ainda se alegrar por te ver bem.

ciclos se encerram, novos sorrisos surgem no meio da mudança.

a maneira com que eu me embaralhava todo para falar contigo denunciava que as coisas não terminariam com o fim. elas sempre permanecem, de alguma forma.

sei que estás melhor onde estás agora. também estou.

enquanto o mundo continua seu movimento padrão, sorrimos a vida com o amor que um dia nos foi abrigo. o resto se ajeita.

basta que a gente se olhe e agradeça pelo que passou.

Júlio Hermann

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