A vida depois de você

(Leia ao som de Someone New)

eu tive medo do que aconteceria comigo depois de você. temia não haver sol nem existir noite clara pela luz da lua; qualquer espaço que fosse suficiente na cama do meu quarto… eu precisaria recomeçar tudo do zero, do que eu gostava ao que me incomodava, porque, poxa, a vida não seria a mesma sem você.

eu poderia até lembrar que existiu um alguém em mim antes de você, mas não haveria maneira de convencer meu peito de que poderia haver de novo depois. era o fim da linha, o término do meu caminho. o que seria de mim depois das tardes de domingo que nós vivemos?

meu peito não queria te ver indo embora naquela manhã de outono, quando as folhas ainda teimavam em permanecer um dia a mais nas árvores antes de cair. eu teimava permanecer em ti, insistindo, porque nada na vida até ali fizera meu coração tão feliz como te ver sorrir.

você pedia alforria, eu fechava meus olhos na esperança de ser ilusão.

tive medo de dar um passo em frente e cair no chão com as pernas bambas, como uma criança que está aprendendo a caminhar. senti pavor em andar pela cidade e dar de cara com ruas conhecidas ao meu olhar mas estranhas ao meu tato, já que eu não teria teus dedos para entrelaçar nos meus. comecei a mapear o bairro inteiro outra vez, na esperança de existir algo concreto dali para frente.

até que eu percebi que o sol continuava a existir do lado de fora da minha janela, ainda que de vez em quando as nuvens do meu coração tentassem o esconder. e, com ele, continuava a existir outras formas de caminhar pelas praças que nós costumávamos passar e novos jeitos de sorrir – talvez não como era contigo, mas ainda assim sorrir.

e, da mesma forma, ele continuava a existir para você.

eu sei que começar outra vez demanda um esforço tremendo de nós, porque é duro deixar quem se ama para trás. mas, lá pelas tantas, o processo se torna mais natural do que nossos corações desesperados pelo fim julgavam ser possível.

e as coisas vão se ajeitando.

talvez não com o teu sorriso. talvez não com teu jeito de me fazer sorrir. mas elas se ajeitam.

para todos nós.

Júlio Hermann

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