Minha mania chata de autossabotagem

(Leia este texto ao som de Blank Space)

eu tenho alergia à calmaria. descobri isso agora, no auge dos meus vinte e um anos, sem diagnóstico médico ou exame sendo aberto em papel barato. foi mais ou menos em uma cena mental que não existe no mundo físico, com meu coração olhando bravo para a minha mente e tirando satisfação com um “sério mesmo, cara? outra vez?”.

tudo fruto da minha mania de vasculhar por problemas e aumentar demais as coisas.

um costume chato que eu tenho é o de querer me colocar abaixo do resto quando quero ou sinto alguma coisa. não aceito a calma. não entendo que as coisas podem ir bem sem fazer o barulho de uma britadeira. mal escuto os agradecimentos do meu peito pelos momentos de paz e já saio à procura de algum problema para dar movimento à minha existência. no fim, vou dormir com o coração pesado.

quem procura por problemas geralmente encontra, né? ou inventa um… eu crio vários. a ironia é que eles nem sempre existem no mundo real.

me dei conta disso esses dias. nas últimas semanas da faculdade antes de me formar, no trabalho com o livro novo, no escritório de segunda à sexta, nas coisas do coração: quase tudo parecia se mover com uma calma gostosa que pede estadia, sabe? estava até conseguindo adiantar algumas demandas internas. então, do nada, minha mente resolveu bater na porta do meu peito para criar problemas.

um amigo escreveu em seu livro novo que nós temos o costume de achar que todas as pessoas estruturam suas vidas ao redor das nossas. todo post em rede social é uma indireta, todo bom dia mal dado é porque o tal fulano criou algum ranço nosso na madrugada que passou. por quê? isso não faz o menor sentido.

criar teorias sobre o que acontece ao meu redor não faz mal aos outros, mas a mim. é um processo interno que eu tenho que passar, colocando meus demônios internos em uma mesa de bar na esperança de que meu coração convença meu cérebro que nem tudo precisa ser problemático o tempo inteiro.

eu trabalho pra caramba, estudo, escrevo e tento usar cada pequeno espaço livre para me tornar alguém melhor, sobretudo para quem amo. o problema é que, de vez em quando, eu ignoro isso. acabo me cobrando mais do que deveria. com você deve acontecer a mesma coisa: nós nos desdobramos em vários para dar conta de viver tudo com amor, por que puxar o próprio tapete, então?

minha alergia à calmaria faz com que meu cérebro busque por problemas e desconfortos ao meu coração o tempo inteiro. crio teorias de que as pessoas que amo não ligam para o que sinto, tento me convencer de que o esforço no trabalho segue insuficiente e estou a beira da ruína. mas tenho tratado esse mal.

o remédio? perdão para comigo mesmo. com ele, eu consigo entender o que é real e o que é invenção da minha cabeça. as tempestades reais nunca serão capazes de diminuir o amor que há em mim.

Júlio Hermann

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