Sobre consertar as coisas

(Leia este texto ao som de Apologize)

São Paulo é minha segunda casa. Parei para pensar nisso agora, enquanto decidia o rumo que tomaria na vida para os dias que estão por vir. Enquanto media o peso de uma coisa e outra na balança, me dei conta de que não foi preciso muitos desembarques para eu me sentisse parte da maior cidade do Brasil.

O que me atraiu, desde os primeiros minutos lá, sempre foi o cheiro de liberdade brotando das paredes. A sensação-certeza de que as coisas podem ser diferentes se meu coração verdadeiramente aceitar.

Olhar as pessoas correndo em suas vidas me trouxe a efervescente certeza de que nossas existências não giram em torno de uma coisa só. Trabalho, relacionamentos, faculdade… Nós nos perdemos tantas vezes na burra mania de achar que tudo vai ruir se não tiver o fim que desejamos, que esquecemos de viver.

Eu, por exemplo, tenho a mania de pensar demais antes de tomar qualquer decisão na vida. Calculo o que vai ficar para trás e os pedaços de mim que deixarei pelo caminho, como se sempre estivesse preso a algo. Acabo ferindo as pessoas com isso, por me segurar demais. No fundo, é só um medo do desconhecido disfarçado de autoproteção.

Gosto de São Paulo porque a cidade me lembra que sempre existirá novas chances para preencher nossos corações. Às vezes aproveitaremos, noutras deixaremos passar. Ao mesmo tempo, também, aquele amontado de prédios me recorda que sempre será possível remendar os trapos que rasgamos em nossas vidas.

A minha luta é justamente essa. Depois de algumas horas de silêncio, consegui identificar onde foi que errei na última vez. A sensação foi de perda de chão e uma angústia estranha subindo pela garganta. Senti uma necessidade dolorosa de consertar as coisas. O coração, com isso, só olhou para o céu e pediu um pouco de piedade. Perdão por te ferir.

Como a maior cidade do país, minha mente é um caos às vezes. Mas, sempre algo no mundo permitirá que nos sintamos parte de alguma coisa. Nem que seja de um dos milhões de rostos que circulam por aí. Ainda que com nossas dores.

Júlio Hermann

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