Eu perdi o medo da vida

(Leia este texto ao som de Love will set you free)

Eu costumava sentir mais medo da vida uns anos atrás.

Sei disso por conta das inúmeras noites de insônia que sumiram do meu calendário no passar dos meses, dos dias vagos que teimaram em diminuir com o passar dos tempos e das xícaras de café que eu nunca precisei cortar da rotina antes de dormir.

O café costuma tirar o nosso sono, né? Comigo as coisas nunca funcionaram exatamente assim.

A minha vida tem sido uma loucura nos últimos dois anos. Entre uma viagem e outra e o amontado de coisas que eu preciso fazer em casa, eu tento dar um jeito de moldar a minha rotina ao redor do amor que habita minha existência. No começo a sensação era de estar parado enquanto a vida passava. Hoje, vejo que talvez seja justamente isso que tenha salvado meus dias.

Eu costumava sentir medo de não ser suficiente ou de não gostarem de mim por um jeito teimoso que não abre mão de defender o amor mesmo quando o interpretam mal. Perdia oportunidades de amar por medo de ficar pelo caminho e ter que começar de novo para ver se dessa seria possível chegar em algum lugar. Registrava em mim um pavor quase palpável, com forma humana e tudo, de ser rejeitado e não saber para onde desviar os olhos no caminho de volta para casa.

A gente se prega peças como essas às vezes, né?

A verdade é que isso não sumiu de mim, só deixou de gritar tão alto no meu coração quando eu entendi o que realmente importava ao meu peito. Eu só precisava mudar as prioridades. Assim, como as coisas estão, sinto minhas pernas tremerem menos.

Esse processo passou por começar a preferir noites calmas em casa ou em cafés da cidade na companhia de pessoas que eu amo a lugares barulhentos. Busquei dar um jeito de encaixar pequenos intervalos de tempo com quem faz bem ao meu coração, ainda que os compromissos pedissem pressa. Passei a entender que abraçar o mundo o tempo todo é impossível, e isso foi doloroso no início.

Nesse amadurecimento, o medo quase sumiu quando descobri que o silêncio compartilhado com afeto salva a gente de muitos abismos particulares que berram que não somos capazes de viver como o mundo pede.

Ainda que o pavor volte de vez em quando, que é ele perto de tanto amor escondido em mim?

Acabou que o medo que eu costumava ter da vida uns anos atrás se moldou em um medo de mim mesmo. Eu sou o único capaz de tirar o amor do centro da minha existência. Assim, tudo que eu preciso é um peito vigilante caso um dia eu sofra a ponto de repensar as prioridades.

Até lá, vou me esforçando para que o amor possa florescer por aí: nas pessoas que converso, nos corações que abraço, nas conversas que tenho enquanto defendo as verdades que acredito e no trato com amor que todo mundo que esbarra comigo merece ter.

Enquanto houver carinho em mim, o único medo que precisa habitar meu coração não pode ser da vida. Com amor se vence as dificuldades dela.

Júlio Hermann

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Antes de me despedir de vocês por hoje, eu queria agradecer pela quantidade infinita de amor que eu recebi no lançamento do livro novo em São Paulo, sábado. Eu senti um medo enorme de ficar sozinho na Saraiva. Mas, apesar da chuva forte caindo, 70 pessoas estiveram lá para me abraçar. Foram 3 horas de fila. Em toda a minha vida, eu nunca sonhei com algo assim. Foi lindo.

Meu coração agradece demais. E só se preocupará em corresponder sempre com mais amor. Obrigado, por tanto e por tudo <3.

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*Meu novo livro já está à venda em todo o Brasil. Se você gostou deste texto, tem grandes chances de se identificar com ele.

O segundo lançamento oficial acontece neste sábado,  13 de Abril, na Livraria Mania de Ler (Gramado/RS), a partir das 16h. Te espero lá com um abraço!

Até onde o amor alcança

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“UM DIA VAI SER AMOR A PONTO DE O CORAÇÃO NÃO PRECISAR CONVENCER O CÉREBRO DISSO.
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