Até onde o amor alcança?

(Leia este texto ao som de Monstros)

Eu passei a ser uma pessoa diferente depois de me reconhecer ferido. Acho que minha mente e meu peito se tornaram um pouco mais exigentes com os relacionamentos ao passar do tempo, em um gesto de autodefesa que me desse a certeza de que eu estaria pisando em um campo minado organizado. Não queria ficar aos trapos outra vez. Me protegia como dava.

Ao mesmo tempo, eu sabia que estar apaixonado talvez fosse uma das melhores sensações da vida. Saber que existe alguém que faz o coração bater forte alegra o nosso dia, né? Mas, abrir o mesmo peito para amar outra vez existindo a possibilidade de tudo acabar pode ser difícil.

A verdade nua e a crua desse processo todo é que ninguém avisa a gente que amar faz a pele arder e o peito dilatar, seja com as coisas dando certo ou não. Contos de fadas, infelizmente, não duram muitos dias na vida real. Amor é o que faz tudo valer a pena quando os créditos na tela grande do cinema resolvem subir, não é?

Quando o filme acabar, acabamos o que somos ou voltamos juntos para casa para continuar vivendo a dois?

Entre tantas dores, o que eu entendi sobre o meu próprio peito é que hoje eu quero o para sempre, mesmo sabendo que não posso controlar tudo à minha volta. No processo de amar alguém e deixar de querer a tal pessoa comigo, eu descobri que muitas coisas daqueles rostos ficaram impregnadas em mim, a ponto de eu não ter coragem de colocar uma roupa nova sobre elas.

As lembranças pinicam, mas talvez seja bom eu conviver com isso.
Talvez eu cresça.
Talvez eu precise carregar todas as dores comigo para ser alguém novo daqui para frente.

No meio de tudo, eu continuo sendo só um garoto do interior lutando contra os demônios que habitam o próprio peito. Ainda se permitindo amar, apesar do cansaço. Vai ver eu precise tentar só mais uma vez antes de as coisas darem certo, né? Então eu me esforço.

Como consolo, descobri que o amor pode ir longe pra burro se permitirmos que ele tome as rédeas de nossas vidas – ainda que não tenha ido distante até agora comigo.

Só não sei exatamente, ainda, até onde ele alcança.

Quem sabe nós possamos descobrir isso juntos.

Minha mão permanece aqui para você segurar…

Júlio Hermann

_

*Meu novo livro já está à venda em todo o Brasil. Esse texto é uma introdução a ele. Se você gostou, tem grandes chances de se identificar com o livro.

Até onde o amor alcança

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“Um dia vai ser amor a ponto de o coração não precisar convencer o cérebro disso.
Até lá eu argumento”.

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