Essa treva não vai durar pra sempre

(Leia este texto ao som de Beautiful War)

O feixe de luz da lâmpada do corredor não é capaz de adentrar o teu quarto e iluminar o escuro, mas isso não faz a dor parar de te invadir. Eu sei exatamente como isso funcionava, até mesmo nos dias em que um pouco de claridade nos alcança. Dói para burro.

Provavelmente teu primeiro contato com a dor latente foi no exato momento em que tudo se tornou palpável. Eu sei porque a vida é exatamente assim comigo: eu projeto momentos, invento futuros, calculo cada consequência de cada escolha que estou prestes a tomar para ter certeza de como as coisas vão ser. Imagino o peso de cada uma das partes que ficarão pelo caminho. Mas, a dor mesmo vem quando eu dou o passo necessário para encarar tudo.

Nós choramos muito, não choramos?
Os combates costumam ser duros.

Eu estou escrevendo isso para te dizer que estou contigo daqui deste canto do mundo, seja lá onde você estiver. Batalhas grandes demandam grandes corações, já te disseram? Talvez tiremos tudo de letra se resolvermos que é melhor unir as orações do que ficar esperando sentado o mundo acordar na nossa frente. Infelizmente – talvez -, não estamos sonhando.

Vai ver você não acredite em Deus como eu acredito. Mas, me deixa colocar os joelhos no chão pelas tuas renúncias e as minhas. Pode ser que uma agulha nunca perfure nossos corpos, mas não custa acreditar que dias melhores virão no futuro, custa? Eu quero acreditar que não.

Encarar tudo isso com uma sede de felicidade pode salvar a gente das ruínas da escuridão. Quando é difícil dormir, eu costumo esperar com pressa as manhãs que estão por chegar. Aguardo a claridade adentrar o recinto e iluminar o meu resto. Levanto, passo uma água no corpo, tento viver normalmente como se o fardo fosse possível de se carregar sem me desviar do caminho.

Aguento porque sei que estás por mim ao mesmo tempo em que estou por ti, daqui.

Juntos em prece, talvez, possamos passar por isso tudo quase intactos.

A vida se tornará mais bonita se tirarmos o melhor de nós quando isso chegar ao fim.

Júlio Hermann

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Tudo que acontece aqui dentro – cartas de amor nunca rasgadas

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