Às vezes eu tenho medo do escuro

(Leia este texto ao som de Monstros)

Existem noites em que eu tenho medo do escuro. Aperto os olhos com mais força para que o meu peito se aquiete com a sensação de que eu sumi por um pequeno espaço de tempo. Busco não pensar no que me cerca e no que me habita para ter um pouco de paz, mas a aquietação ainda é pouca.

Encarar a si mesmo é uma das coisas mais difíceis que precisamos fazer.

Nas noites em que alguma coisa importante se aproxima, eu demoro mais para pegar no sono. Permaneço deitado por um grande intervalo de tempo encarando o nada na frente dos meus olhos. Contemplo os pequenos e acoados feixes de claridade que adentram o recinto pela veneziana aos pés da minha cama, mas nada me ilumina.

Penso, peso consequências, analiso mais um pouco para ainda concluir tudo com dúvidas.

Como o mundo à minha volta vai ficar se eu der passos em direção a um caminho diferente? Eu me pergunto isso quase todos os dias. Mudar a si e ao mundo a sua volta demanda uma decisão profunda. O problema é que eu tenho dificuldade de tirar a minha mente do presente e do que se passou até aqui.

Sorte a minha que as pessoas à minha volta me amam como eu sou. Quem mora aqui em casa, quem mora lá fora mas também habita meu peito… se não fosse por eles o processo seria muito mais torturante do que costuma ser para a maioria das pessoas.

Apesar das minhas certezas, ainda que muitas vezes minha mente balance em dúvida por tudo, eu tenho medo do escuro muitas vezes. É ruim para caramba olhar para dentro da própria mente e encontrar breu. Mas eu tenho conseguido seguir com um sorriso no rosto.

Nas noites em que minha mente resolve se autossabotar, meu peito tenta iluminar meu íntimo para que eu continue a caminhar em direção a algum lugar. Talvez eu mude o trajeto, faça novas escolhas, mas o que realmente importa continuará queimando-se em amor aqui dentro, juntamente com todos aqueles que amo.

Júlio Hermann

_

*Meu primeiro livro já está à venda em todo o Brasil. Se você gostou desse texto, tem grandes chances de se identificar com ele.

Tudo que acontece aqui dentro – cartas de amor nunca rasgadas

capa Tudo o que acontece aqui dentro (1).jpg

“Você lê aquilo que sempre quis dizer a alguém – ou a si mesmo -, mas que nunca teve coragem de tirar de dentro de si.” – Daniel Bovolento, autor de Por onde andam as pessoas interessantes? e Depois do fim.
_
Para comprar: 

Saraiva (com 35% de desconto)
Amazon
Livraria Cultura
Livraria da Folha
Martins Fontes
Fnac
Livraria da Travessa
Lojas Americanas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s