Talvez, eles precisem aprender a amar

(Leia este texto ao som de Dulcinéia)

Você já amou tanto alguém a ponto de o teu peito doer? Muitas pessoas, imagino. Eu te pergunto isso porque é um dos gestos mais bonitos do mundo para mim, por mais que às vezes não nos demos conta que ele faz parte de nossas vidas. É singelo para caramba, me parece. Faz a gente se sentir vivo.

Mas, quantas vezes você amou desse jeito sem ser correspondido?

Andando de carro com alguém que amo muito, nós comentávamos sobre os amores-amigos que havíamos tido na vida e não eram recíprocos. Não são poucas as pessoas que se fazem indiferentes a nossa doação por elas. Enquanto ofereceremos nosso tempo, nosso sono, nossos momentos de descanso para nos mostrarmos disponíveis para as fazermos felizes, o reflexo é de uma geleira imensa.

Não sobra nada em troca, nem uma migalha de afeto para nós.

É cruel, né? Não ser correspondido faz a pele se rasgar em feridas, ainda que não literalmente. A sensação dentro da cabeça é justamente essa. É difícil compreender o que nos faz continuar, mas o outro sempre está acima do nosso próprio ego. Se não estivesse, não agiríamos assim.

Conversando sobre isso, o tal amigo comentou sobre a importância de se ter um amor correspondido em meio a tantos outros. Ao menos um que baste.

Não são poucas as vezes na vida em que nos dedicamos por alguém que, por méritos, não nos teria por perto. Quando acontece o contrário, calhando de alguém sentir de volta algo parecido com o que sentimos por ele, as coisas não parecem fazer tanto sentido assim. Explico: estamos tão acostumados com o fato de nos doarmos pelos outros, que chega a ser estranho quando fazem isso por nós.

O fato de nem todo amor ser retribuído talvez seja por que corações só aprendem a amar de verdade depois de entrar em contato com o próprio amor. Quem sabe, essas pessoas indiferentes nunca tenham passado por uma experiência como essa. Não podemos as julgar como se tivessem. Neste ponto é que entra a importância de se amar: precisamos ensiná-las como as engrenagens do peito funcionam, para então cobrar algo.

Neste sentido, me parece que o importante é deixar que as forças do bem prevaleçam diante de tudo, se não for nocivo a nós (se for, não há problema nenhum em ir embora). Afinal de contas, só somos capazes de amar porque fomos amados primeiro um dia. Então, que amemos os outros para que amem no futuro também. Quem sabe amoleçamos o coração deles? Se não der certo, tudo bem, tentamos.

O que a vida me ensinou é que indiferença se responde com afeto. Afinal de contas, o que de amor haveria em nós se nos doássemos apenas por quem se doa de volta?

Que o amor mova o meu coração até o deles. E que o deles se cure com o meu, assim como eu pretendo sarar minhas feridas em um movimento inverso quando eu desaprender o significado do verbo mais importante de nossas vidas.

Amar.

Júlio Hermann

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