Como você tem cuidado do próprio peito?

(Leia este texto ao som de Agape)

Tanto faz se a tua casa tem quatro ou cinco quartos se você não sabe em qual deles guardar o afeto. O que é grande e permanece vazio nos quatro cantos faz a gente se perder. Primeiro, deixamos de entender o pouco que conhecemos do mundo. Depois, nós mesmos.

Nós nos enganamos fingindo que não é sobre a gente, já percebeu? Nem o vazio, nem a abundância do nada. Tá tudo bem, sob controle. Mesmo?

Todo amor e todo movimento na vida exigem decisões. Eu escolho seguir por aqui e renuncio a uma parte de mim que ficará derramada pelo caminho. Parece perda, né? Deixar um espaço precioso de si pela estrada carrega um gosto estranho de morte. Mas algumas atitudes são necessárias para que façamos o que realmente nos fará felizes.

Eu me dou conta disso quando examino os cômodos que habitam meu peito. Cada pessoa da minha vida é dona de uma parte dele, mesmo que alguns espaços sejam maiores que outros. Se me amam de volta, entenderão que as mudanças são necessárias para que eu permaneça bem – penso comigo.

Minha saúde mental tem um peso absurdo nisso tudo. Nada vale eu satisfazer meu próprio coração se minha mente e minha alma acabarão feridas com isso. O que eu preciso é dar um passo de cada vez para chegar um pouco mais perto de onde devo ir.

Nesse processo eu olho muito para mim. Você tentou olhar para dentro de si para ver quanto espaço ainda precisa ser habitado? Todo momento importante e toda pessoa que passa pela vida da gente deixam alguma coisa.

Quando escolhemos amar alguém, nós sabemos exatamente de que forma abrigaremos a pessoa do lado de dentro. Os cobertores e a lã do pijama já estão escolhidos. O importante é deixar o peito confortável para que o outro queira ficar. Mas e com a gente? Como temos decorado o próprio quarto peito a dentro?

O gosto de morte se repete sempre que alguém se vai e gostaríamos que ficasse. Bate insuficiência. Momentos acontecem e passam. Um dia eu hei de entender por que raio alguns não podem durar para sempre.

O que eu me pergunto é que tipo de amor temos levado conosco se tudo resolver chegar ao fim agora?

Tanto faz o número e o tamanho dos cômodos se não formos capazes de preencher o nosso coração com o que de melhor existir do lado de fora. Os espaços-abrigos de nós mesmos servem justamente para permitir que nos localizemos na vida quando dermos os passos que precisamos dar. Na dor, é isso que vai manter nossa saúde mental de pé.

Sonhos. Renúncias. Realizações. Amor.

Cada pequeno detalhe com o espaço que precisa para existir e se expandir dentro da gente. E decorar o resto.

Júlio Hermann

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