Nenhuma penumbra dura pra sempre

(Leia este texto ao som de Slide)

Eu sei que é difícil de acreditar que uma hora as coisas mudam quando tudo está assim. É um frio absurdo que toma conta do corpo, né? Do lado de fora e do lado de dentro. Sem avisar e sem fazer barulho para mostrar que está chegando. Tudo de uma hora para outra.

Encarar a realidade é um pouco mais complicado quando nós não temos o que fazer para mudar. A vida pede seu tempo para colocar as coisas no lugar ou dar um jeito de acalmar a poeira que sobe com uma pressa diferente do comum. Em um dia bem, no outro tudo desaba. Na manhã seguinte escombros, felicidade nova logo antes de dormir.

Uma das coisas mais valiosas que eu aprendi nos últimos anos é que nenhuma treva dura para sempre. No meio caos de uma vida em ruínas, é normal que voltemos nossos olhos para um futuro agonizante. Não lembramos direto do que nos fez felizes, esquecemos de resgatar outras memórias que acumulamos em outras visitas à miséria. Mas tudo passa, por mais que pareça durar para sempre.

Esse ensinamento é o que tem norteado as minhas noites nos últimos tempos. Tentar é uma ação dolorosa quando não temos certeza de onde as coisas podem chegar, mas o importante, no fim, está em não permitir que a própria mente se conforme com os escombros à nossa volta. Se não der certo, ao término de tudo, tudo bem. Valeu o impulso.

O mundo desaba diversas vezes, por nós e por quem amamos. E já passamos por muitos momentos de escuridão ao longo da vida. Muitos ainda estão por vir, sabemos. Por isso, trazer um pouco claridade à esta penumbra é tudo o que precisamos para seguir em frente um passo de cada vez.

Se eu pudesse deixar um conselho modesto: tente. Mova um as pernas um metro hoje, outro amanhã. Aprendi com um amigo que o segredo da nossa relação com o relógio está na capacidade de aproveitar o que ele tem de melhor para nos oferecer. O tempo precisa maturar as experiências que faz, me disse, sejam de dor ou alegria extrema. Mas por si só ele não fará o processo sozinho.

O frio é chato, o vento parece quebrar a gente em pedaços pelo ar gelado que traz. E nem tem muito a ver com o clima lá fora. Mas, de uma hora para outra, na mesma proporção em que tudo desaba, o mundo sorri outra vez. Nem sempre percebemos, mas acontece. Basta esperar um pouco, mesmo que a dor pareça infinita por tudo o que tem acontecido recentemente.

Júlio Hermann

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