O tamanho do silêncio

(Leia este texto ao som de As dores do silêncio)

O silêncio é uma das coisas mais dolorosas do mundo quando a gente não sabe o que fazer. Um passo em frente, um pé atrás. Cada pequena coisa tentando encontrar o seu lugar. Mas a angústia não parece evaporar de um modo tão simples assim.

Uma das músicas que mais tem mexido comigo nos últimos dias fala justamente sobre isso. Da demora para pegar no sono, das lágrimas antes de dormir, do modo com que eu acordo angustiado durante a madrugada, sem entender direito como o mundo tem se movido na frente dos meus olhos. E esperando.

Eu sinto o corpo pesar e os meus olhos não alcançam além do teto em cima da minha cama. A criatividade não levanta voo, sabe? A imaginação permanece estagnada, presa ao chão, sem força alguma para passear por si mesma. E eu não tenho feito tanta questão de dar uma ajudinha para ela se mover.

O silêncio tem sido a fonte e a solução dos meus problemas. E, desculpa, mas eu não sei explicar direito essa dualidade. Eu me sinto apagado, sobrevivendo em uma realidade em que o tempo parece dialogar com a saudade e fazer a coisa toda doer um pouco mais. E eu, que sempre gostei de entender cada uma das coisas da minha vida, pareço estar conformado em não compreender nada do lado de dentro do peito.

O vazio existe porque sobra nada quando adentramos em nossas próprias misérias. O mundo é o mesmo, nós é que não temos o mesmo olhar aguçado de antes para perceber isso. Saudade. Ansiedade. E o tempo demora a passar.

A sensação é estranha, eu sei, mas uma hora passa, sempre passa. Eu só ainda não sei exatamente o que fazer para as coisas mudarem um pouco nesse exato momento. Mas com o tempo, sempre o tempo, as coisas reencontrarão seu lugar.

Eu espero. Enquanto isso, deixo o conforto do quarto me consolar.

Júlio Hermann

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