A culpa é inteiramente minha

(Leia este texto ao som de High Hopes)

O peso que cai sobre os meus ombros parece muito maior do que o aquele que sou capaz de suportar. Trato feito, não tem como voltar atrás. Eu devia ter mudado o rumo das coisas antes de tudo isso acontecer, eu sei. E agora os ponteiros do meu relógio só insistem em seguir para um momento ainda mais distante de mim.

A minha mente anda em círculos intermináveis quando as coisas estão assim. A pele arrepia. A testa parece gelar em um instinto oposto ao da febre. As pernas tremem insistentemente, bem mais que o normal, e olha que eu já sou hiperativo em grau elevado. O sangue corre mais rápido pelas veias porque o coração bombeia mais rápido. E tudo para ao mesmo tempo.

Sentir culpa sempre foi uma das piores sensações do mundo para mim. As coisas já aconteceram, eu sei que a responsabilidade foi inteiramente minha. Como faz para lidar com a dor depois de tanta coisa?

Um choro na hora de dormir, a sensação de uma faca sendo gravada no peito na hora de levantar. Acordo quatro vezes durante a madrugada assustado com o jeito que eu permiti que o mundo estivesse. Por que agora? Por que assim? Tentar responder essas perguntas não vai mudar nenhuma das coisas que aconteceu até aqui.

Fazer quem eu amo sofrer é única coisa capaz de tirar o chão debaixo dos meus pés. A inconsequência, o medo, a falta de uma maturidade emocional não são motivos suficientes para justificar o que eu fiz. Então, o que fazer?

Eu não sei a resposta. A gente nunca sabe, eu acho. O que a gente precisa fazer é moldar tudo de novo dentro da gente para conseguir lidar com as responsabilidades, que são inteiramente nossas.

O corpo pesa, a mente parece despencar de um penhasco enquanto os batimentos do coração aceleram de uma maneira doentia. Não tem o que justificar. O que eu posso fazer é me agarrar ao erro e o carregar comigo, sentindo a dor que precisa ser sentida antes de as coisas voltarem pro lugar.

Eu poderia ter evitado tudo isso, eu sei. Mas os ponteiros do meu relógio insistem em gritar na minha cara que eu não posso voltar para o exato ponto em que tudo começou para fazer diferente.

Júlio Hermann

_

*Meu primeiro livro já está à venda em todo o Brasil. Se você gostou desse texto, tem grandes chances de se identificar com ele.

Tudo que acontece aqui dentro – cartas de amor nunca rasgadas

capa Tudo o que acontece aqui dentro (1).jpg

“Você lê aquilo que sempre quis dizer a alguém – ou a si mesmo -, mas que nunca teve coragem de tirar de dentro de si.” – Daniel Bovolento, autor de Por onde andam as pessoas interessantes? e Depois do fim.
_
Para comprar: 

Saraiva (com 35% de desconto)
Amazon
Livraria Cultura
Livraria da Folha
Martins Fontes
Fnac
Livraria da Travessa
Lojas Americanas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s