Das coisas que você causou em mim

(Leia este texto ao som de Sem radar)

Você me disse que sentia alguma coisa estranha dentro de si, que era tímida demais no início, que nem tudo seria o tempo inteiro assim. Eu ri.

Com as pernas tremendo embaixo da mesa e torcendo para que você não percebesse o jeito como eu tava inquieto do outro lado da tela, tentei dizer que estava tudo bem. Ria de nervosismo, tentava falar dos outros para não entregar demais sobre mim. Contei dos filmes que eu já vi, li sobre os filmes que você me faria ver logo depois. Contei das pessoas da minha vida, perguntei das suas, tudo isso na busca de uma realidade apressada em que eu pudesse te trazer para perto de mim.

O tempo é curto e você sente frio, não sente? Eu queria falar sobre as coisas que sinto, mas vivo com um medo enorme de te assustar que me encurrala em um canto escuro. Houve um tempo, veja bem, houve um tempo em que dizer as coisas era menos fácil para mim. Não existia o brilho dos teus olhos e eu andava longe demais de sensação estranha de perceber o corpo inteiro entrando em transe por estar perto de alguém. Parecia quase impossível. Mas você não precisou de sete dias para me tirar de mim.

Falei sobre o brilho dos teus olhos, contei sobre as coisas que me tiram o sono e o modo com que eu tento levar uma rotina diferente das outras pessoas por aí. Só para ver se você sentia compaixão, que seja; só para ver se você encontrava qualquer fragmento que identificasse teu coração com aquilo o que eu sou. Mas você já sentia o mesmo que eu.

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Nos papos sobre literatura, nas conversas sobre política, nos relatos sobre as coisas as coisas banais da vida e sobre amor, você arrancou alguma coisa de mim. Talvez o medo, talvez um pedaço que é teu e nunca mais volte a ser inteiramente meu.

Imagino você deitando a cabeça sobre a almofada do sofá da sala sentindo vergonha. Eu sinto algo estranho aqui dentro. Fico com medo de repetir diversas vezes que gostei mais de você do que fui capaz de imaginar quando vi pela primeira vez o desenho do teu rosto na tela do meu computador. Era domingo, chovia lá fora.

Mas tá tudo bem. Com a memória voltando no tempo de instante em instante e se adiantando para um futuro que eu ainda sonho viver, meu peito sabe que não falta tanto tempo assim para eu te ver pela primeira vez.

Júlio Hermann

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