Se ainda for tempo

(Leia este texto ao som de All I Want)

Se você me disser que ainda é tempo e a gente consegue salvar a parte boa no meio de tanta tralha ruim, eu prometo que largo o mundo do jeito que está. Só o tempo que você achar suficiente. Assim, pensando que a gente pode correr contra os ponteiros com a velocidade que quiser, não vai chegar ao fim.

Pelo menos não aqui dentro.

Hoje foi um dia difícil por aqui. Com a cabeça girando em uma tontura estranha, a única coisa que fui capaz de fazer foi largar o celular e permanecer por um bom tempo com o corpo estagnado olhando a parede. Entre um suspiro e outro, o que passava pela minha cabeça é que nunca parece tempo de chegar ao fim. Não quis levantar da cama, não fiz esforço nenhum para sair dali. Antes de terminar o dia, eu só queria poder ainda te dizer que eu te quero bem.

Tenho andado um pouco nervoso e não consigo olhar em volta o suficiente para reparar que as coisas já têm se perdido sozinhas em meio ao caos. Houve um tempo em que o mundo batia em mim e tava tudo bem. Batia febre, batia angústia, batia com a cara no muro vez atrás de vez e parecia que nada era o suficiente para deixar marcas na pele. Até que não existiu mais você por aqui e o acumulo inteiro começou a se manifestar na superfície do rosto.

Escrevi um verso, gritei aos ventos que eu te amava e nada do que acontecer daqui para frente vai mudar isso, eu prometo. Troquei os hábitos, mudei o corte do cabelo de lado porque eu pensei que amenizaria a aparência atirada de quem só tem enxergado a vida passar. Mas não adiantou muita coisa.

Teve um dia em que eu disse para você que não mudaria o meu jeito para você gostar de mim. Com uns conselhos meio rudes e um modo paternal de conduzir a vida, eu só queria que você fosse um pouco melhor. Queria tanto o teu bem e te queria tanto feliz, que acabei esquecendo de olhar para dentro do peito e perceber o que estava errado aqui dentro. Foi assustador quando eu reparei nos relevos.

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Desculpa o meu jeito e o fato de eu não ter conseguido ser forte como você, mas eu tenho um medo danado de acordar amanhã e nunca mais poder te contar sobre o modo com que você faz eu me sentir. No meio do quarto, com o corpo parado encarando a parede, a única coisa que eu quero é ser melhor para você.

Procuro um modo de me punir, vasculho pelas memórias de você rindo que eu ainda guardo dentro de mim. Se você me disser que ainda é tempo e a gente consegue salvar a parte boa no meio de tanto defeito ruim que eu encontrei no meu peito, eu juro que o cronometro vai deixar de ser tão importante assim.

Me esqueço num canto e te peço ajuda para mudar o que anda errado do lado de dentro. Até a gente encontrar um modo bonito de ser feliz de novo, do mesmo jeito que fomos um dia.

Júlio Hermann

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