Um dia essa história muda

(Leia este texto ao som de A Way Back Into Love)

Acreditar piamente que é maldição não vai ajudar. Primeiro, porque nem tudo é sobrenatural. Segundo, porque nem tudo o que é natural para você está certo. Parece que sim, mas nem sempre está.

Você vai passar por dias difíceis, andando de um lado para o outro arrastando as pantufas no chão da sala sem saber o fazer. Vai encontrar alguém para dar errado outra vez, porque, bem, as coisas nem sempre são feitas para acontecerem do modo que queremos. Vai transferir as memórias doloridas do passado para um cantinho bonito das lembranças só para se martirizar um pouco mais. Mas isso tudo é normal.

Sem contar os choros. Que nunca são poucos e nem sempre se deixam escorrer pelo canto do rosto. Tem daqueles doloridos, doloridos mesmo, que a gente acaba por engolir na frente dos outros enquanto finge que está tudo bem. Parece queimar por dentro, rasgar o peito no meio mesmo que a medicina diga que é biologicamente impossível. Cada um deles para tentar justificar uma ilusão que não merecia tanta atenção assim.

Você vai lembrar dele. Dele e de todos os outros que passaram até aqui. Todos com uma promessa furada sobre ficar e manter os braços nos teus. Mas sabe que nem todos eles estavam mentindo, né? Alguns quiseram, outros ainda querem, mas a culpa não é de nenhum de vocês, na maioria das vezes. É só que ainda não era para ser.

Quando pensar que acabou, você ainda assim vai sofrer um pouco mais. Mesmo que dessa vez não seja em tempo integral. Mesmo que seja para dar uma vontade imensa de se trancar da vida e nunca mais sair de casa. Nem que seja para sentir só um pouco mais de saudade do que nunca foi teu.

Parece maldição, mas eu juro que não é. Às vezes só falta a gente se dar conta de que mudar alguns modos é necessário para sermos felizes como sempre imaginamos. Uma hora cai a ficha de que o querido por nós nunca foi feito para nos fazer felizes, mas acabamos com uma alegria genuína e diferente no fim.

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Mas fica tranquila por enquanto, uma hora essa sensação chata passa. Tem tempo para caramba pela frente. A gente ainda é jovem pra caralho para jogar a toalha, independente da idade na carteira de identidade.

Logo encontraremos alguém que irá virar nosso mundo avesso e nos fazer felizes. Ou encontraremos nosso lugar no universo por nós mesmo, com uma sensação de liberdade que não seria possível sentir de outra forma. 

Não adianta se preocupar por enquanto.

Esperar se culpando só é um pouco mais torturante. No fundo, não precisamos disso. Uma hora a felicidade chega para nós também.

Júlio Hermann

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