Depois as coisas se ajeitam

(Leia este texto ao som de Wait)

Dependendo do tanto de abrigo que você precisar sentir antes de dormir, eu coloco uma coberta a mais nos pés da cama e observo os astros para o tempo passar mais rápido. Paro quando pegar no sono e deixar de respirar ofegante. Só até parecer que tudo vai ficar bem.

Conto um pouco da vida antes de perguntar como as coisas estão agora. Bem? Mas não precisa ter medo, não, viu? Coloca a cabeça no meu ombro se precisar de um pouco de reparo. E repara no tanto de coisas que a gente deixa escapar antes de explodir nas próprias mãos.

Esse tipo de sentimento é comum mais do que se pensa, sabia? Vai embrenhando a gente de um jeito irritante que a sensação que fica é de que o corpo inteiro já não é nosso. Não tem muito o que falar sobre o peso em cima dos ombros, não tem muito o que dizer sobre os olhos baixos e as mãos fechadas. Mas precisamos nos permitir sentir.

Fiquei um longo período assim tempo atrás. Não tinha mais aquela história de ser feliz por si mesmo, até que eu olhei pra dentro de mim. Nem era nada comigo, quase nunca é com a gente. A culpa é do tanto de esforço que fazemos para tentar abraçar o mundo o tempo inteiro, mesmo sabendo que é impossível.

Me abraça, se sentir que tá demorando muito. E eu puxo a coberta se estiver fazendo quatro graus lá fora e você tiver esquecido o casaco. Costuma cair pra caramba a temperatura depois que escurece. Costuma desabar um turbilhão de coisas em nós mesmos quando percebemos as coisas se locomovendo desse jeito.

(Me siga no instagram | facebook | twitter)

Solta o ar com pressa, se não der para ser normal. E vê se dá um jeito de ter a mesma sede de ver tudo ficar bem. Eu tô aqui pra ajudar no que precisar, nem que seja só pela companhia. Nem que seja em silêncio.

Não precisa se preocupar em corresponder, viu?

Nem precisa fazer nada demais.

Só fica bem. O resto se ajeita depois.

Júlio Hermann

 

2 comentários sobre “Depois as coisas se ajeitam

  1. José Barreto disse:

    “A culpa é do tanto de esforço que fazemos para tentar abraçar o mundo o tempo inteiro, mesmo sabendo que é impossível.”
    Nunca vi tanta verdade em uma frase. Tentamos abraçar o mundo de tantas formas: querendo ter tudo, fazer tudo, viver tudo, sentir tudo… Isso ao mesmo tempo e a todo instante.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s