Sobre o medo de estar disponível

(Leia este texto ao som de Tennis Court)

Termino a conversa com um amigo no telefone e começa a bater uma série de coisas aqui dentro. Ele disse que vai congelar as coisas por um tempo pra ver se faz ela sentir alguma coisa por ele, que vai pegar o coração da dita cuja e colocar num lugar de honra na cabeceira da cama pra ver se ela sente falta das conversas ao longo do dia e antes de dormir. Que vai inventar uma viagem particular por uns dias e deixar ela esperando sentada, só pra ter certeza que faz alguma falta nos dias dela. Quer fazer charme. Eu não entendo.

Em todo canto para o qual eu olho um bando de gente faz esse mesmo tipo de coisa. Tem medo de se mostrar disponível demais, tem medo de mostrar que sente demais, tem medo de colocar as cartas na mesa e convidar prum café no fim da tarde. Tenta parecer importante demais, agenda cheia, vai ser difícil ver ela essa semana, quando na verdade ele está a semana inteira remoendo e tecendo uma série de dúvidas dentro da cabeça.

Tento explicar pra ele que pessoa nenhuma passa a gostar da gente pela ausência. Talvez um riso arrancado e uma mensagem de bom dia faça ela gostar dele, mas um sumiço? Pessoa nenhuma se apaixona pelo esboço do nada do que temos a oferecer.

Talvez o charme esteja num boa noite reescrito quatro vezes pra não ter erro. Num bom dia apressado que acuse que a agenda anda cheia, sim, mas você não esqueceu dela. Num vídeo que apareceu na sua linha do tempo e você lembrou dela, lembrou de não esquecer de contar isso pra ela também. Talvez esteja num compromisso que você desmarcou pra encontrar-la no meio da semana. Talvez eu seja romântico demais.

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O que eu sei é que depois que a gente some por um tempo, as coisas todas esfriam e vão criando pó. Depois de um tempo a vontade passa, a saudade passa, o desejo de estar junto passa também. Depois de um tempo resolvemos que é melhor deixar o outro ir se isso é tudo o que ele tem feito.

Tento explicar pro meu amigo que o sumiço pode ser covarde com o outro. Tento colocar na cabeça dura dele que sentir falta não faz pessoa nenhuma gostar mais da gente. A gente se apaixona pela presença, meu caro, a gente aprende a gostar depois de uns sorrisos e um pouco de alegria compartilhada.

Apesar do conselho, ele vai colocar o coração dela na cabeceira. Eu, do outro lado da linha, espero que seja a última vez. Depois de um tempo a gente percebe que é muito mais gostoso se mostrar disponível e matar a vontade de mandar mensagem, ligar, dizer que lembrou do que ficar fechado em um mundo inteiramente nosso esperando a mágica acontecer.

Júlio Hermann

11 comentários sobre “Sobre o medo de estar disponível

  1. Ingrid Matos disse:

    Poxa como me identifiquei lendo esse texto…
    Medo, insegurança tudo isso me faz achar que devo ser indisponível.
    Mas ao ler esse excelente texto me fez pensar de uma outra maneira.
    Obrigada

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  2. Renata disse:

    Sabe que quando a gente se torna disponível, tem que estar preparado para estar na cabeceira. FATO. Pois quando alguém tem certeza dos seus sentimentos, passa a não valoriza-los como devia. (triste, não?) É assim por que é fato que esses valores de quem é romântico demais nem todos tem, nem todos valorizam, então faça por você e não esperando ser correspondido.
    P.s. dica de quem é muito disponível hehehe

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